quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Eu posso fazer isso! Parte I

      Kamila pensava que sua vida teve inicio aos 6 anos. Com essa idade, várias de suas colegas já usavam maquiagem, mas sua mãe não lhe permitira isso. Dissera que Kamila era muito nova, precisava amadurecer um pouco. Mas não era isso que suas colegas achavam. Um dia, uma menina de sete anos disse à Kamila: você é muito cafona, só você não usa batom. Isso foi a primeira decepção que a pequena teve. Ela queria ser popular, mas sua mãe não lhe permitia fazer nada legal. Então, a menina tomou uma decisão: "Eu posso fazer isso", ela pensou, "é só minha mãe não saber". E escondida, a garota começou a levar maquiagem para a escola, e passou a ser popular.
      Antes mesmo de completar nove anos, Kamila precisou tomar outra resolução. A sua melhor amiga já tinha beijado um menino "bonitinho", e disse que era muito bom. Kamila era popular, não queria perder seu posto, mas sabia que se fizesse o que a amiga fez, a mãe não aprovaria. Poucos dias depois estava decidido: Ela iria beijar  um menino, mas não um da sua idade, isso pareceria imitação. O garoto já tinha doze anos, bem maior que ela. Mais uma vez, escondeu tudo de sua mãe.
       Para não perder a popularidade, ela começou a fazer tudo que lhe mandavam (mesmo achando que era de sua própria iniciativa). Se tornou mulher precocemente, não havia completado nem doze anos. Era ótima atriz, sua mãe não desconfiava dela. Aos treze, com um corpo bem formado, ia para festas com colegas bem mais velhos. Aos quinze, participava em competições do tipo: quem beija mais garotos, ou quem bebe mais sem ficar bêbado (a). Saia de casa depois de todos irem para a cama, e voltava antes de acordarem. Com o tempo, perdeu sua personalidade, não se reconhecia. Mas não dava importância a isso, pensava que era feliz assim. Mas sua vida virou de cabeça para baixo quando percebeu que seu ciclo menstrual estava muito atrasado. Comprou escondida um teste de gravidez, e o resultado pertubou-a. Ela estava grávida!
        Foi conversar com sua amiga Jéssica, aquela que tinha beijado antes que ela. Mais decepções. Jéssica não se importava realmente com Kamila, apenas competia com ela. E nesse momento, um turbilhão de pensamentos surgiram na cabeça de Kamila. Quem seria o pai? Ela não tinha ideia, depois de ter ficado com tantos garotos. Como falaria isso a sua mãe? Ela não sabia da vida da filha, não tinha ideia do que a garota era capaz de fazer. Poderia abortar. Mas como? Esses procedimentos eram muito perigosos. E sua juventude? Uma jovem de dezessete anos com filho não aproveita mais nada. Ela pensava que a vida era injusta com ela. O que ela tinha feito para merecer isso? Tinha dito "Eu posso fazer isso" para coisas demais!

~Kate