segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Impotência diante do fogo!

Por Carlos*



Ele era meu melhor amigo. Praticamente fomos criados juntos, tínhamos as mesmas aspirações, e foi isso que nos fez entrar para a carreira de bombeiros. Ele foi testemunha no meu casamento com Diana, e casou-se dois meses depois com a irmã dela. Foram muitos momentos bons. Até hoje me lembro de quando fui contar para meu amigo que minha esposa estava grávida, ele quase caiu de costas, porque ele ia me dar a mesma notícia, Dafne, sua esposa, também estava grávida. As nossas princesas nasceram quase no mesmo dia. E agora, cinco anos depois, eu olho para aquele fogo, sentindo-me impotente diante da situação.
     Chegou o fim do meu amigo. Aquele maldito incêndio tinha acabado com mais uma vida. Sempre que isso acontecia, ficávamos chocados e abalados. Mas agora é diferente, a dor no meu peito é maior. Sinto-me tão impotente, não posso salvar "meu irmão". Se eu pudesse, eu iria no lugar dele. Porém, pensando melhor, o que adiantaria? Eu também deixaria minha família aqui, sofrendo por mim. E depois? Não sei, sinceramente, não sou capaz de definir o que aconteceria. Pensei em entrar lá na hora que percebi que ele não respondia mais, mas seríamos dois, e não um morto. Era impossível salvá-lo a tempo.
     Estou sentado no carro dos bombeiros, em estado de choque. Não sei o que fazer. E a esposa dele? Sua filhinha? Marianne tinha acabado de completar cinco aninhos, como reagirá ao saber que nunca mais verá o pai? São perguntas sem respostas. Uma lágrima desce em meu rosto cheio de cinzas, e eu não impeço as demais de fazerem o mesmo. O que eu mais quero nesse momento é me encontrar e abraçar Diana e Luana, minha princesinha, e orar para não ser o próximo. É a única coisa que posso fazer diante imensidão vermelha e amarela que consumiu vários de meus amigos e pessoas que deixaram de continuar suas histórias.
* Personagem fictício.
~Kate